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Bacabal,09/04/2026

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Raimundo Sirino

Ovinocultura: tradição milenar e oportunidades para a agricultura familiar e o agronegócio brasileiro

Imagem gerada pelo autor, utilizando-se de IA – ChatGpt (2026)
Ovinocultura: tradição milenar e oportunidades para a agricultura familiar e o agronegócio brasileiro

A criação de ovinos no país destaca-se pela rusticidade de raças como a Santa Inês, Morada Nova e Somalis Brasileira. Seja para corte ou produção de derivados, a atividade exige controle sanitário e nutricional rigoroso. Atualmente, o setor vive um momento de expansão impulsionado pelo uso de tecnologias que elevam a produtividade e a qualidade da carne.

1. Histórico e evolução

A ovinocultura tem origem na domesticação do Ovis aries há aproximadamente 10 mil anos, em regiões do Oriente Médio. Inicialmente, os ovinos eram utilizados principalmente para fornecimento de carne e peles. Com o avanço das civilizações e o desenvolvimento de técnicas têxteis, a produção de lã passou a ganhar importância, impulsionando a seleção genética para características específicas.

Ao longo da história, a atividade expandiu-se para diferentes continentes, acompanhando fluxos migratórios e processos de colonização. Durante esse processo, os ovinos foram introduzidos em regiões da Europa, África, Ásia e Américas, adaptando-se a diferentes condições ambientais. Países como Austrália e Nova Zelândia destacaram-se no cenário global devido ao desenvolvimento de sistemas altamente produtivos voltados à exportação de carne e lã.

2. Raças de ovinos

2.1 Principais raças do mundo

As raças ovinas são classificadas conforme sua aptidão produtiva. Entre as principais raças lanadas, destaca-se a Merino, amplamente reconhecida pela produção de lã de alta qualidade. No segmento de carne, a Suffolk apresenta elevado desempenho zootécnico e rápido ganho de peso.

Outras raças relevantes incluem a Dorper, conhecida por sua rusticidade e adaptação a ambientes áridos, e a East Friesian, especializada na produção leiteira.

2.1.1 Produção de lá e dupla aptidão 

a) Merino

ORIGEM - O Merino Espanhol é considerado um dos ovinos domésticos mais antigo de todos os conhecidos, e é descendente de um ovino selvagem primitivo natural da Ásia Menor, o Ovis arkal. A partir do século XVIII o Merino Espanhol foi o tronco de origem das numerosas raças Merinas desenvolvidas em diversos países: Merino Electoral (na Alemanha), Merino Negrette (na Austria-Hungria), Merino Rambouillet (na França), Merino Vermont, Delaine e Rambouillet Americano (na América do Norte), Merino Argentino (na Argentina), Merino Uruguaio (no Uruguai) e finalmente o Merino Australiano (na Australia). Em 1794 foram introduzidos na Australia 26 Merinos Espanhóis, provenientes da Colonia do Cabo (África do Sul).

ASPECTO GERAL - É um animal imponente, de aspecto nobre. Bom desenvolvimento corporal. Constituição robusta. Conformação angulosa. Denota grande volume de lã. Raça especializada na produção de lã fina, apresenta um equilíbrio zootécnico orientado 80% para a produção de lã fina e 20% para a carne.


b) Corriedale

ORIGEM - Originou-se na Nova Zelândia, onde eram comuns os cruzamentos alternativos entre ovinos Merinos, Romney Marsh, Lincoln e Leicester, com a finalidade de produzirem animais com boa produção de lã de finura média, com comprimento de mecha e de carcaças de bom peso e qualidade. Em 1879, o ovinocultor James Little, em seu estabelecimento denominado "Corriedale", na Nova Zelândia, com a finalidade de produzir um ovino de dupla aptidão, carne e lã, escolheu 4.000 ovelhas puras Merinas e as acasalou com 100 carneiros puros Lincoln. Da produção destes acasalamentos James Little selecionou 1.000 ovelhas e 20 machos, acasalou-os. Na produção assim obtida ele fez uma rigorosa seleção, apartando somente os animais cujos caracteres correspondiam plenamente a um ovino de dupla aptidão, num equilíbrio de 50% carne e 50% lã. Através de consanguinidade e seleção fixou o tipo zootécnico e racial que havia programado. Outros criadores, visando os mesmos objetivos de James Little, fizeram cruzamentos do Merino com Leicester e Border Leicester. Admite-se que o atual Corriedale, além de Merino e Lincoln, possuem pequeníssima percentagem de sangue Leicester e Border Leicester. O Corriedale foi oficialmente reconhecido como raça pura em 1911 quando foi criado o Flock Book pela "The Corriedale Sheep Society". 

ASPECTO GERAL - O ovino Corriedale tem que ter bom porte e deve dar a impressão de um animal de grande vigor e ótima constituição, que se manifesta em sua conformação, própria para a produção de carne e lã. Devem ostentar um andar ágil e de grande vitalidade, o que lhe confere uma boa capacidade de deslocamento. Sendo um ovino de duplo propósito, com um equilíbrio zootécnico orientado 50% para a produção de lã e 50% para a produção de carne, deve ser um animal muito equilibrado, apresentando um esqueleto bem constituído e um velo pesado, extenso e de boa qualidade.


2.1.2 Produção de carne

a) Suffolk

ORIGEM - Oriunda dos condados de Norfolk, Cambridge, Essex e Suffolk, no sudoeste da Inglaterra, foi formada a partir do cruzamento de carneiros Southodown com ovelhas selvagens de Norfolk. Estes ovinos nativos caracterizavam-se por terem e membros pretos, serem ambos os sexos aspados. Eram muito rústicos, ativos de velo leve e conformação defeituosa, de esqueleto forte e membros compridos, mas muito prolíficos e, desde a antiguidade, eram muito apreciados pelo sabor de sua carne. A influência da raça Southodown, usada desde 1800 até 1850, determinou o desaparecimento dos chifres, melhorou a conformação e precocidade, e foi fixado o tipo por cruzamento e seleção. Desde o ano de 1810 foi considerada como raça, denominando-se primeiramente como Southdown Norfolk. Em 1859 a Associação de Agricultura admitiu exemplares para concorrerem nas exposições agrícolas e, em 1886 foi fundada a Sociedade de Criadores de Ovinos Suffolk (Suffolk Sheep Society) cuja sede é em no condado de Suffolk.

ASPECTO GERAL - O Suffolk é um ovino de grande desenvolvimento corporal, de constituição robusta e de conformação tipicamente carniceira. O seu corpo comprido e musculoso, as extremidades desprovidas de lã e revestidas de pelos negros e brilhantes. A postura de sua cabeça e formato das orelhas, fazem do Suffolk um ovino inconfundível. Logo à primeira vista o Suffolk impõe a sua condição de raça carniceira.


b) Dorper

ORIGEM - É uma raça ovina de corte desenvolvida na África do Sul, nos anos 30, a partir de cruzamentos entre carneiros chifrudos da raça Dorset e ovelhas Blackheaded Persian (originada da Somalis). Foi desenvolvida para regiões semiáridas extensivas da África do Sul, sendo, numericamente, a segunda maior neste País. Esta raça encontra-se difundida em diversos países.

ASPECTO GERAL - A raça apresenta animais tanto de cabeça negra (Dorper) como de cabeça branca (White Dorper). É uma das mais férteis raças de ovinos sem chifres, com bom comprimento corporal e cobertura de pêlos e lã claros e curtos. Apresenta excepcional adaptabilidade, robustez e excelentes taxas de reprodução e crescimento, além de boa habilidade materna.

Dados produtivos no Brasil ainda são escassos. Entretanto, devido à sua especificidade para corte e às origens de sua formação, a Dorper pode ser uma raça de grande importância no uso em cruzamentos, principalmente pela possibilidade de imprimir uma boa qualidade de pele, ao contrário das raças lanadas especializadas para corte.

Alguns dados na África do Sul, sob condições de pastagem, indicam que esta raça apresenta primeiro parto em torno de 346 dias de idade, fertilidade ao parto de cerca de 87,0%, prolificidade (número de crias por parto) de 1,33 crias/parto, peso ao nascer e à desmama (em média aos 94 dias) em torno de 3,9 kg e 24,0 kg, respectivamente. Sob as mesmas condições, a média de ganho em peso diário foi de 217 g/dia na fase pré-desmama, podendo alcançar 250 g/dia. O peso adulto desta raça é de 80,0 kg a 120,0 kg nos machos e 60,0 kg a 90,0 kg nas fêmeas.


c) Texel

ORIGEM - A raça Texel é originária da ilha de mesmo nome, na Holanda, cujo solo é em sua maioria arenoso, sendo em parte acima e em parte abaixo do nível do mar (polder).

ASPECTO GERAL - Ovino de tamanho médio, tendendo para grande, muito compacto, com massas musculares volumosas e arredondadas, constituição robusta, evidenciando vigor, vivacidade e uma aptidão predominantemente carniceira. Atualmente é considerada uma raça de carne e lã, pois a par de uma carcaça de ótima qualidade e peso produz ainda apreciável quantidade de lã.


d) Ile de France 

ORIGEM - O berço da raça é a França, na região da bacia parisiense, denominada Ile de France. A partir de 1816 técnicos franceses iniciaram cruzamentos de ovelhas Merino Rambouillet com reprodutores New Leicester (Dishley) importados da Inglaterra. O objetivo era obter um ovino que reunisse a qualidade laneira do Merino com a aptidão carniceira do New Leicester.

Os cruzamentos foram dirigidos por August Yvart, Inspetor Geral do Estado e professor da Escola Nacional de Veterinária de Alfort, daí a raça ser também conhecida inicialmente por raça de Alfort. Em 1875 participou da Exposição de Paris sob a denominação de DishleyMerino.

Em 1920 a raça recebeu uma infusão de sangue Merino Cotentin, com a finalidade de eliminar pigmentos escuros da pele do focinho. Em 1 de fevereiro de 1922 foi criado o Flock Book, sendo que a raça veio a receber a denominação definitiva em 23 de fevereiro de 1923, quando da fundação do Sindicato dos Criadores da Raça Ile de France, em consideração ao nome da região de origem.

ASPECTO GERAL - É um ovino de grande formato, constituição robusta e conformação harmoniosa, típica do animal produtor de carne. Atualmente é considerado uma raça de duplo propósito, com um equilíbrio zootécnico orientado 60% para a produção de carne e 40% para a produção de lã.


e) Damara ou Rabo Largo

ORIGEM - A raça Dâmara é originária da Ásia Oriental e Egito, e de lá, foi levada para Angola e Namíbia. É encontrada, principalmente, no noroeste da Namíbia (Kaokoland) e ao sul de Angola, local onde foi mantida livre da influência de outras raças. O nome da raça (Dâmara) é derivado da região onde originalmente foi encontrada: Gross Damaraland. No Brasil, essa raça é popularmente conhecida como "Rabo Largo", e provavelmente, oriunda do cruzamento entre os animais do Sul da África com aqueles descendentes dos animais introduzidos pelos colonizadores.

ASPECTO GERAL - Animal deslanado, possui como principal característica a base da cauda larga contendo espessa camada de gordura (reserva de gordura lipídica para os períodos de escassez), o que lhe confere uma alta adaptabilidade à caatinga e ao cerrado. Possui porte médio, é muito rústico, fértil mesmo em regiões com condições edafoclimáticas (clima e solo) desfavoráveis. Apresenta boa habilidade materna e potencial para crescer sob condições desfavoráveis. Normalmente ocorrem partos gemelares, e as mães são capazes de criar os filhotes. Possui alta resistência à muitas doenças e boa tolerância contra parasitas internos.


2.1.3 Produção de leite

a) East Friesian 

ORIGEM - Raça originária do Oeste da República Federal da Alemanha, ao leste da região da Frísia. É uma raça muito antiga, havendo referência da mesma desde 1530. A denominação original era OSTFRIESISCHES MILCHSCHAF. Na Argentina e denominada de Raça Frisona, e no Uruguai é denominada de Frisona Milchschaf. 

No Brasil, denominação da Raça é East Friesian em conotação com a sua região de origem.

ASPECTO GERAL - É um ovino de bom tamanho, biótipo leiteiro, anguloso, longilíneo e hipermétrico. Raça predominantemente leiteira, mas com apreciável produção de carne e lã. Os machos atingem 80 a 90 cm de altura e pesam de 90 a 120kg. As fêmeas pesam de 70 a 75 kg.


b) Lacaune 

ORIGEM - Raça francesa, deve seu nome aos montes Lacaune, no Tarn. Tem como origem os diversos grupos ovinos que existiam nos departamentos de L´Aveyron, Tarn e departamentos limítrofes. O berço da raça situa-se na região produtora do leite destinado à fabricação do queijo Roquefort.

ASPECTO GERAL - A raça Lacaune é considerada de aptidões mistas, uma vez que é explorada para a produção de leite, com o qual se fabricam queijos e outros derivados, e carne proveniente de seus cordeiros de alta qualidade. Na França, onde é criada em rebanhos relativamente importantes para a produção do queijo Roquefort a raça Lacaune está muito bem adaptada à ordenha mecânica, a quase totalidade das ovelhas são ordenhadas a máquina. A produção de carne (cordeiros e ovelhas) representa uma parte importante da receita dos criadores.

A sua aparência apresenta um Corpo grande, comprido e rústico. A pelagem é branca e a lã é rala, com cabeça, pescoço inferior, ventre e membros geralmente sem lã. O seu peso apresenta as Fêmeas 70-80 kg e machos 95-100 kg.


2.2 Principais raças no Brasil

No Brasil, predominam raças deslanadas adaptadas às condições tropicais, como a Santa Inês, a Morada Nova e a Somalis Brasileira. Essas raças apresentam elevada resistência a parasitas, boa adaptação ao clima quente e aptidão para produção de carne.

Além disso, o uso de cruzamentos com raças exóticas, como Dorper e Suffolk, tem sido amplamente adotado para melhorar características produtivas, especialmente ganho de peso e rendimento de carcaça.

a) Santa Inês

ORIGEM - É uma raça desenvolvida no nordeste brasileiro, resultante do cruzamento intercorrente das raças Bergamácia, Morada Nova, Somalis e outros ovinos sem raça definida (SRD).

Sendo as características atuais um produto da seleção natural e dos trabalhos de técnicos e criadores fixando-as através de seleção genealógica.

A tese de sua origem é confirmada pelas suas características.

O porte do Santa Inês, o tipo de orelhas, o formato da cabeça e os vestígios de lã evidenciam a participação do Bergamácia, bem como a condição de deslanado e as pelagens, correspondem ao Morada Nova. A participação do Somális é evidenciada pela apresentação de alguma gordura em torno da implantação da cauda, quando o animal está muito gordo.

ASPECTO GERAL - Animal deslanado, com pelos curtos e sedosos, de grande porte com média de peso para macho de 80 a 120 Kg e para as fêmeas de 60 a 90 Kg, apresenta excelente qualidade de carne e baixo teor de gordura, a pele de altíssima qualidade, rústicos, precoces, adaptável a qualquer sistema de criação e as mais diversas regiões do país, as fêmeas são prolíferas e com boa habilidade materna. Apresentam espelho nasal, perímetro ocular, vulva e períneo escuros.


b) Morada Nova

ORIGEM - Para Otávio Domingues (1954), a raça Morada Nova descenderia diretamente dos carneiros Bordaleiros de Portugal, trazidos para o Brasil na época da colonização e que, desde então, teriam passado por um processo de seleção natural que resultou na ausência de lã. Já Mason (1979), acreditava que estes animais teriam vindo da África, provavelmente na época do tráfico de escravos. Figueiredo et al. (1980), baseado nas duas possibilidades, acreditava que a raça resultou do cruzamento de ovinos Bordaleiros, vindos de Portugal, com ovinos deslanados africanos, afirmando: enquanto pode haver sangue Bordaleiro no Morada Nova, parece muito provável que o sangue africano seja predominante.

Com base nestes relatos e levando em consideração a ausência de qualquer maior controle sobre a importação de animais e sobre os acasalamentos/cruzamentos nos rebanhos ovinos do Brasil colonial, Facó et al. (2008) concluíram não ser prudente descartar qualquer das possibilidades já mencionadas, sendo muito provável que a raça Morada Nova tenha contribuições tanto de carneiros ibéricos quanto africanos.

Estudos mais recentes utilizando dados genômicos de mais de 80 raças ovinas ao redor do mundo (PAIM et al., 2021; SPANGLER et al. 2017) sugerem uma possível origem na África Ocidental (Argélia, Mali e Nigéria).

ASPECTO GERAL: Animais deslanados, mochos, de pelagem vermelha ou branca, com machos adultos pesando de 40 a 60 Kg e fêmeas adultas variando de 30 a 50 Kg.


c) Somalis Brasileira

ORIGEM - A raça Somalis Brasileira pertence ao grupo dos ovinos de "garupa gorda”. É originária do "corno da África", região formada pela Etiópia e Somália, tendo como ancestral remoto o ovino Urial.Sua introdução no Brasil ocorreu em 1939 por criadores do Estado do Rio de Janeiro. Entretanto, os animais não se adaptaram ao clima e foram levados para o Nordeste, onde se encontram disseminados, particularmente nos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte.

ASPECO GERAL - A raça Somalis Brasileira é também denominada "cabeça preta". Composta por animais de porte médio, deslanados, rústicos e muito bem adaptados às condições edafoclimáticas (clima e solo) do Semiárido nordestino, apresenta boa fertilidade ao parto e boa prolificidade (número de crias por parto), além de bom rendimento de carcaça e pele de boa qualidade.A gordura acumulada na garupa e na base da cauda é sua principal característica. Esse depósito de gordura, formado durante a época de boa disponibilidade de forragem, funciona como reserva de energia para que o animal consiga sobreviver nas épocas mais críticas do ano.


3. Sistemas de Produção

3.1 Sistema extensivo

O sistema extensivo caracteriza-se pela criação de ovinos em grandes áreas de pastagens naturais, com baixo uso de insumos. Apresenta como vantagens o baixo custo de produção e menor necessidade de infraestrutura. No entanto, apresenta desvantagens como baixa produtividade, maior exposição a doenças e dependência das condições climáticas. 

3.2 Sistema semi-intensivo

No sistema semi-intensivo, há combinação entre pastejo e suplementação alimentar. Esse modelo permite melhor controle nutricional e sanitário, resultando em maior produtividade. Como desvantagens, destacam-se o aumento dos custos e a necessidade de maior manejo técnico. 

3.3 Sistema intensivo

O sistema intensivo envolve confinamento ou semiconfinamento, com uso de dietas balanceadas e alto controle sanitário. Apresenta elevada produtividade e padronização dos produtos, sendo ideal para atender mercados exigentes. Contudo, demanda altos investimentos e maior conhecimento técnico.

4 Manejo e Bem-Estar Animal

4.1 Alimentação e Nutrição

A nutrição dos ovinos deve ser baseada em forragens de qualidade, complementadas por concentrados energéticos e proteicos. A suplementação mineral é indispensável para garantir o equilíbrio nutricional e o bom desempenho produtivo. 

4.2 Sanidade Animal

Entre as principais enfermidades que afetam os ovinos, destacam-se verminoses, clostridioses e ectoparasitoses. O controle sanitário deve incluir vacinação, vermifugação estratégica e boas práticas de manejo, reduzindo perdas produtivas. 

4.3 Reprodução

Os ovinos apresentam ciclo reprodutivo influenciado pela estação do ano, especialmente em regiões temperadas. No Brasil, raças deslanadas apresentam menor estacionalidade. Tecnologias como inseminação artificial e sincronização de cio têm sido utilizadas para aumentar a eficiência reprodutiva. 

4.4 Manejo de Rebanhos

O manejo envolve as fases de cria, recria e engorda. Em raças lanadas, a tosquia é uma prática essencial. O bem-estar animal deve ser considerado em todas as etapas, garantindo condições adequadas de alimentação, sanidade e conforto.

5 Produção e Mercado 

5.1 Produção de carne ovina

A carne ovina é valorizada por sua qualidade e sabor, sendo composta por cortes como pernil, paleta e lombo. O consumo vem crescendo, impulsionado por nichos gastronômicos e mudanças nos hábitos alimentares. 

5.2 Produção de lã

A produção de lã é relevante principalmente em países como Austrália. Os diferentes tipos de fibras atendem à indústria têxtil, embora a demanda global tenha sofrido oscilações. 

5.3 Produção de leite ovino

O leite ovino é utilizado na fabricação de produtos de alto valor agregado, como os queijos Roquefort e Pecorino, além de iogurtes e outros derivados. 

5.4 Mercado nacional e internacional

O mercado global de ovinos é liderado pela China, principal produtora e consumidora. Regiões como o Oriente Médio apresentam alta demanda por carne ovina. Países como Austrália e Nova Zelândia destacam-se como grandes exportadores. 

5.5 Desafios e oportunidades

Entre os desafios estão a padronização da produção, questões sanitárias e competitividade com outras proteínas. As oportunidades incluem produção sustentável, rastreabilidade e acesso a mercados premium.

6 Ovinocultura no Brasil 

6.1 Contexto atual

No Brasil, a ovinocultura concentra-se principalmente no Nordeste do Brasil e no Sul do Brasil. No Nordeste, predominam sistemas extensivos com raças adaptadas ao clima semiárido, enquanto no Sul há maior tecnificação e produção de lã.

6.2 Políticas e incentivos

Programas governamentais têm buscado fortalecer a atividade por meio de crédito rural, assistência técnica e incentivo à organização produtiva, embora ainda existam limitações na abrangência dessas políticas.

6.3 Perspectivas futuras

O setor apresenta grande potencial de crescimento, impulsionado pela demanda por carne ovina e pela adoção de tecnologias que aumentem a produtividade e a qualidade dos produtos.

7 Ovinocultura no Mundo

7.1 Principais países produtores

Além da China, destacam-se países como Austrália, Nova Zelândia e Índia. Cada país apresenta características produtivas específicas, relacionadas ao clima, às raças e ao nível tecnológico.

7.2 Tendências globais e inovações

A ovinocultura mundial tem incorporado tecnologias como melhoramento genético avançado, nutrição de precisão e monitoramento digital. A sustentabilidade e o bem-estar animal tornaram-se prioridades, influenciando práticas produtivas e exigências de mercado.

De forma geral, a ovinocultura apresenta-se como uma atividade versátil e estratégica, com potencial de crescimento tanto no Brasil quanto no cenário internacional. A integração entre avanços tecnológicos, manejo eficiente e organização da cadeia produtiva será determinante para o fortalecimento do setor nos próximos anos.

Fontes:

https://www.segardmasurel.com/en/all-you-need-to-know-about-merino-wool/ - Acesso em 25 Mar 2026.

https://www.comprerural.com/ovinos-corriedale-a-raca-que-une-forca-la-e-carne-de-valor/ - Acesso em 25 Mar 2026.

https://www.arcoovinos.com.br/PadraoRacial/Details/8. Acesso em 25 Mar 2026.

https://www.arcoovinos.com.br/PadraoRacial/Details/20. Acesso em 25 Mar 2026.

https://www.cpt.com.br/cursos-ovinos/artigos/ovinos-texel-caracteristicas-fisicas-producao-de-la-e-potencial-reprodutivo. Acesso em 25 Mar 2026.

https://www.youtube.com/watch?v=rJJ4claA36Y. Acesso em 25 Mar 2026.

https://www.youtube.com/watch?v=o9NKCaowJLU. Acesso em 25 Mar 2026

https://www.arcoovinos.com.br/PadraoRacial/Details/24; Acesso em 25 Mar 2026.

https://www.arcoovinos.com.br/PadraoRacial/Details/10. Acesso em 25 Mar 2026.

https://www.arcoovinos.com.br/PadraoRacial/Details/11. Acesso em 26 Mar 2026.

https://www.cpt.com.br/cursos-ovinos/artigos/ovinos-morada-nova-historico-caracteristicas-e-aptidoes-da-raca. Acesso em 26 Mar 2026.

https://acco-sc.com.br/racas/somalis-brasileira/. Acesso em 26 Mar 2026.


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Raimundo Sirino Rodrigues Filho. Engenheiro Agrônomo, Pesquisador, Extensionista Rural e Professor Universitário. Graduado em Agronomia (UEMA); MSc. em Engenharia Agrícola – Irrigação e Drenagem (UFV) e DSc.






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