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Bacabal,24/01/2026

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Raimundo Sirino

Em Belém, a COP30 expõe urgências climáticas e revela impasses persistentes

Conferência reúne líderes em meio a pressões internacionais por metas mais rígidas e maior ambição ambiental

Imagem gerada pelo autor, utilizando-se de IA – Google Gemini (2025)
Em Belém, a COP30 expõe urgências climáticas e revela impasses persistentes

Sob a sombra crescente da crise climática, a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) transformou Belém em um centro global de negociações ambientais. O encontro, marcado por expectativas elevadas e forte pressão da comunidade científica, buscou definir rumos mais claros para evitar o agravamento do aquecimento global.

Esta matéria examina os principais temas debatidos, as tensões políticas que marcaram a conferência e o papel desempenhado pelo Brasil, que assumiu a condição de anfitrião em um momento decisivo para a diplomacia climática internacional.

Contexto histórico

Desde a COP 21, em Paris, onde foi firmado o acordo climático mais amplo e ambicioso já celebrado, as conferências anuais vêm alternando avanços moderados e retrocessos discretos. O ritmo das negociações, frequentemente limitado por divergências entre países desenvolvidos e emergentes, tornou-se alvo de críticas de pesquisadores que alertam para a insuficiência das ações adotadas.

Nesse cenário, a COP 30 assumiu contornos simbólicos por ocorrer no coração da Amazônia, uma região cuja preservação é considerada fundamental para a estabilidade climática global. A expectativa era de que o local, por si só, servisse como catalisador político.

Principais temas abordados

Os debates foram dominados por quatro eixos centrais:

Aceleração da descarbonização global, com a pressão de vários Estados europeus para a inclusão explícita de prazos para eliminação dos combustíveis fósseis.

Financiamento climático, novamente tema sensível, com países pobres reivindicando mecanismos mais claros para acesso aos fundos internacionais.

Proteção das florestas tropicais, impulsionada pelo protagonismo dos países amazônicos e de nações do Sudeste Asiático.

Transição energética justa, incluindo propostas de apoio econômico a trabalhadores afetados por mudanças no setor energético.

Especialistas presentes ressaltaram que as metas atuais, mesmo com ajustes, permanecem aquém do necessário para limitar o aquecimento a 1,5 °C.

Participação brasileira

O Brasil buscou assumir postura de liderança, apresentando novos compromissos de mitigação e reforçando o discurso de combate ao desmatamento ilegal. A delegação brasileira destacou projetos de expansão da matriz energética renovável e mecanismos aprimorados de monitoramento ambiental.

Organizações da sociedade civil, no entanto, insistiram em apontar contradições entre os anúncios e a execução das políticas, enfatizando riscos de retrocessos caso faltem recursos e fiscalização contínua. Povos indígenas e movimentos sociais da Amazônia reivindicaram maior protagonismo nos processos decisórios e criticaram a lentidão na implementação de políticas de proteção territorial.

Reações e debates

Os pronunciamentos mais contundentes vieram tanto de chefes de Estado quanto de representantes de entidades científicas. Governos elogiaram a condução das discussões, mas admitiram que o ambiente político internacional permanece fragmentado.

Organizações ambientalistas denunciaram que muitos compromissos seguem vagos ou dependentes de instrumentos financeiros pouco acessíveis. O setor privado, por sua vez, expressou apoio parcial às medidas, condicionando a adesão a garantias regulatórias mais estáveis.

Frases emblemáticas, proferidas por autores anônimos, marcaram a conferência. Dentre elas, destacamos:

“Sem a preservação da Amazônia, nenhum pacto climático poderá ser suficiente.”

“Promessas não reduzem emissões; políticas públicas sim.”

“O tempo da hesitação acabou, mas ainda falta coragem.”

Resultados e compromissos

A conferência encerrou-se com a aprovação de acordos considerados progressivos, embora não revolucionários. Entre eles:

Reforço ao Fundo de Perdas e Danos, com aportes ampliados de países desenvolvidos.

Compromisso global de reduzir emissões em 60% até 2035, mediante revisões periódicas.

Pacto entre países amazônicos para atingir desmatamento zero até 2030.

Novas diretrizes de transparência para monitoramento das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).

Os próximos anos serão determinantes para verificar a capacidade real dos países em transformar declarações públicas em ações concretas.

Conclusão

A COP 30, realizada pela primeira vez na Amazônia, reforçou a urgência de respostas coordenadas e evidenciou a distância entre metas idealizadas e políticas implementadas. As decisões tomadas em Belém constituem um avanço, mas não representam, por si só, a inflexão necessária para reverter o quadro climático global.

Resta à sociedade civil, à comunidade científica e aos governos manter a pressão política e fiscalizar o cumprimento das metas para que o legado da COP 30 não se limite ao simbolismo do local que a sediou.

_____________________

Raimundo Sirino Rodrigues Filho. Engenheiro Agrônomo, Pesquisador, Extensionista Rural e Professor Universitário. Graduado em Agronomia (UEMA); MSc. em Engenharia Agrícola – Irrigação e Drenagem (UFV) e DSc. em Agronomia – Solos e Nutrição de Plantas (UFPB).




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