José de Ribamar Viana
Os bons tempos das saudosas Escolas de Samba de Bacabal
Destaque do carro abre-alas do Salgueiro do SambaO Carnaval brasileiro, notadamente as manifestações exibidas através dos desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro; do Frevo, no Marco Zero em Recife; e os Trios Elétricos pelas ruas de Salvador, apenas para mencionar os mais comentados no período, os quais constituem momentos festivos de alegria e de visibilidade no exterior, atraindo turistas. Por tudo isso, o carnaval torna-se motivo de orgulho para o povo brasileiro.
Em Bacabal, resguardadas as devidas proporções, nos anos de 91 e 92, graças ao empenho das Escolas, bem como às ajudas do então Prefeito, Jurandir Lago, e do então Governador, João Alberto (em 91), tivemos aqui os desfiles das saudosas Escolas de Samba: “Salgueiro do Samba”, que tinha como presidente o empresário Domingos Gangar; “Unidos do Bairro da Areia”, presidida pelo empresário Dr. Nonato Chaves; “Asas do Samba”, presidida por José Jardim; “Unidos do Juçaral”, presidida pela professora Maria José Mendes (Zezé do Sarney); e a “Estrela do Samba”, presidida pelo Senhor Edilson Carvalho.

Os referidos desfiles em Bacabal apenas chegaram àquele estágio de grandes desfiles das Escolas, graças a uma proposta formulada pela Escola Salgueiro do Samba, pelo fato de a mesma ter tomado conhecimento da existência da produção de uma Cartilha durante a exibição de um quadro denominado: “Esquentando os Tamborins”, exibido ao meio-dia, meses antes do Carnaval, na extinta TV Manchete. Cujo documento continha a consolidação dos regulamentos que disciplinavam as apresentações dos Blocos, Escolas do Grupo Especial e do Grupo de Acesso no Carnaval do Rio de Janeiro.
Com essa informação, a Escola Salgueiro do Samba de Bacabal procurou obter um exemplar e fez uma adaptação do regulamento publicado pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA).

Depois de discutida internamente na escola, a proposta de como seria o Carnaval das escolas de samba de Bacabal, foi feita uma apresentação para o então diretor do Departamento de Cultura de Bacabal, o querido e saudoso Pedro Neto da Silva, o qual achou viável. No dia seguinte, Pedro Neto, na condição de amante da cultura, agendou logo uma reunião com a diretoria de todas as escolas, para que o Salgueiro fizesse a apresentação da proposta, a qual, após vários esclarecimentos, foi aceita por todos os representantes das agremiações.
Na fase seguinte, foram feitos os esclarecimentos para a sociedade de como seria o desfile das escolas de samba naquele ano. Desde a concentração até a dispersão, passando pela altura, largura e número de carros alegóricos, número mínimo de componentes por ala, número de jurados — sendo três julgadores para cada quesito — onde, na aferição dos resultados, desprezava-se a maior e a menor nota, ficando a nota intermediária nos 10 quesitos analisados (Comissão de Frente; Mestre-Sala e Porta-Bandeira; Bateria; Harmonia; Evolução; Samba-Enredo; Conjunto; Alegoria; Enredo; e Fantasia), bem como o que julgar em cada um deles.
Na divulgação daquela proposta, a Rádio Mirante FM não mediu esforços, concedendo espaço no jornal exibido ao meio-dia para que um representante da Escola Salgueiro fosse entrevistado para falar como seriam as apresentações das escolas na avenida.
Ainda por conta dessa efervescência e sempre mirando na divulgação cultural, a Rádio Mirante FM criou o programa 'Botequim 95' sob direção do jornalista Abel Carvalho e que serviu para divulgar o carnaval bacabalense e preparar os ouvintes para a transmissão ao vivo dos desfiles das escolas de samba.
Durante dois anos seguidos, as escolas tiveram o seu apogeu, cada uma fazendo apresentações primorosas. E como, a cada ano, as escolas queriam se apresentar de forma melhor, isso ficou muito caro e resultou na inviabilização das apresentações. Como visto à época e agora através desse relato, foi muito bom “enquanto durou”; porém, “tudo terminou no samba!”





Colaboraram cedendo as fotos de arquivo: Zé Lopes e Abel Carvalho
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José de Ribamar Viana é Advogado.
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